segunda-feira, 7 de novembro de 2016

6 razões pelas quais a eleição nos EUA será histórica, independente do vencedor

BBC


O mundo conhecerá nos próximos dias o sucessor de Barack Obama na Casa Branca.
Porém, qualquer que seja o ganhador, o republicano Donald Trump ou a democrata Hillary Clinton, o resultado desta eleição presidencial americana vai entrar para a história.
Confira a seguir por que esta disputa é tão diferente de todas as anteriores.

1) Idade

Quando Barack Obama assumiu a presidência pela primeira vez, em janeiro de 2009, tinha 47 anos e era o quinto presidente mais jovem da história dos EUA.
O mais jovem de todos até agora é Theodore Roosevelt, que tomou posse com 42 anos e 322 dias, em 1901.
Donald Trump fez 70 anos em 14 de junho. Se vencer, quebrará o recorde que era de Ronald Reagan (69 anos quando assumiu o poder, em 1981).
Já Hillary Clinton completou 69 anos em 26 de outubro. Se ganhar, será a segunda governante mais velha, posição até agora de William Henry Harrison, empossado em 1841.

2) New York, New York

A disputa entre Trump e Hillary é a primeira entre dois nomes de Nova York desde 1944, quando o governador de Nova York, Thomas E. Dewey, enfrentou aquele que viria a vencer: Franklin Roosevelt.
Desta vez, depois de 71 anos, a Casa Branca receberá um inquilino nova-iorquino.
Embora tenha nascido em Chicago, no Estado de Illinois, Hillary foi senadora por Nova York, onde vive desde 1999.

3) Dinheiro, dinheiro, dinheiro

Se Trump for eleito, será um dos candidatos que menos dinheiro gastou na campanha.
Segundo os registros da Comissão Eleitoral Federal dos EUA, até o fim de outubro os gastos dele chegaram a US$ 254 milhões (R$ 796,3 milhões).
Ele também financiou parte da sua campanha - Trump gastou do próprio bolso US$ 56 milhões (R$ 175,6 milhões), de acordo com os dados da comissão.
Ninguém havia gasto tão pouco desde o democrata Al Gore, que em 2000 teve uma despesa de US$ 126 milhões (R$ 395 milhões).
Até o momento, Hillary gastou US$ 513 milhões (R$ 1,6 bilhão) e não deve ultrapassar os US$ 556 milhões consumidos na última campanha de Obama (R$ 1,74 bilhão).

4) Inexperiência política

Uma eventual vitória de Trump será importante porque, em mais de 60 anos, ninguém sem experiência política foi eleito governador, deputado ou senador nos EUA.
O último presidente politicamente inexperiente foi Dwight Eisenhower, em 1953. Antes de ingressar na política, ele havia sido comandante das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.
Outro caso foi o do engenheiro Herbert Hoover, presidente de 1929 a 1933.
Por outro lado, nenhum candidato até hoje era proprietário de uma rede de cassinos e hotéis como Trump. Aliás, ele cita como vantagem sua experiência nos negócios e o fato de não estar profundamente ligado ao meio político de Washington.

5) Uma mulher na Casa Branca?

Se vencer, Hillary Clinton será a primeira mulher a presidir os EUA, embora não tenha sido a primeira candidata por um dos principais partidos americanos.
Por duas vezes, mulheres foram candidatas a vice em chapas derrotadas nas eleições - em 2008 (Sarah Palin, vice do republicano John McCain) e em 1984 (Geraldine Ferraro, vice do democrata Walter Mondale).

6) Sucessão democrata

Apenas dois democratas foram sucessores diretos de um presidente também democrata. O primeiro foi Martin Van Buren, que sucedeu Andrew Jackson em 1837.
O outro foi James Buchanan, presidente de 1857 a 1861, depois de Franklin Pierce.
Harry Truman e Lyndon Johnson eram vices e tiveram que assumir por causa da morte dos respectivos presidentes. Ambos venceram as eleições seguintes.
Uma vitória de Hillary, por tanto, teria um importante peso para o Partido Democrata.
fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2016/11/07/6-razoes-pelas-quais-a-eleicao-nos-eua-sera-historica-independente-do-vencedor.htm

Gastos de cartão corporativo do governo Temer superam os de todo o 1º semestre

Da CBN:
Os gastos do governo federal com cartão corporativo aumentaram nos últimos quatro meses. Desde que Michel Temer assumiu a Presidência, o poder Executivo gastou mais de R$ 29 milhões com os cartões.
Os valores gastos entre julho e 4 de novembro ultrapassam o total gasto em todo o primeiro semestre de 2016. As despesas nos últimos quatros meses somam mais de R$ 24 milhões, contra R$ 22 milhões nos seis primeiros meses do ano. O Ministério da Transparência só divulgou agora os dados de julho até os primeiros quatro dias de novembro.
A publicação no Portal da Transparência vem uma semana depois de a CBN revelar que as despesas com o cartão corporativo no governo Temer estavam sem atualização desde julho. Os dados já levam em conta os gastos de novembro porque algumas despesas são feitas no mês anterior, mas cobradas no mês seguinte.
Nos primeiros quatro dias de novembro, já foram gastos mais de R$ 3,7 milhões. E mesmo com o discurso de contenção de gastos, o governo continua gerando despesas com o cartão. Em média, são gastos entre R$ 4 mi e R$ 5 mi por mês – o mesmo que foi gasto mensalmente no ano passado.
Para o economista Paulo Brasil, se o governo propõe uma PEC que limita os gastos públicos, também precisa cortar na própria carne. Para mostrar ao país que está preocupado com as contas públicas, ele sugere que o governo zere as despesas com cartão corporativo.
(…)
http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/politica/2016/11/07/GASTOS-COM-CARTAO-CORPORATIVO-EM-QUATRO-MESES-SUPERAM-O-1-SEMESTRE.htm

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Multas de trânsito ficam mais caras a partir de hoje


Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil


Fiscalização PRF
As regras mais rígidas para o Código de Trânsito foram estabelecidas pela Lei n.º 13.281 , sancionada em maio deste ano -Arquivo/Agência Brasil

























A partir de hoje (1º), as multas por infração de trânsito ficarão mais caras em todo o país. As regras mais rígidas para o Código de Trânsito foram estabelecidas pela Lei n.º 13.281 , sancionada em maio deste ano. Segundo o Ministério das Cidades, desde o ano 2000 as multas não eram reajustadas.

A infração gravíssima, que antes tinha multa de R$ 191,54, passará a ter o valor de R$ 293,47. Já as multas por infração grave passarão para R$ 195,23 - anteriormente o valor era R$ 127,69. Para a infração média, as multas passarão de R$ 85,13 para R$ 130,16. As infrações leves, que antes tinham multa de R$ 53,20, passarão a valer R$ 88,38.

A infração para quem for flagrado manuseando o telefone celular enquanto estiver ao volante, que atualmente é considerada média, passará a ser gravíssima. Com isso, o valor da multa subirá de R$ 130,16 para R$ 293,47.
De acordo com o Código de Trânsito, a receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito deve ser aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. O Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito recebe, para a mesma finalidade, 5% da receita arrecadada com as multas.

Cinquentinha
Além do endurecimento das penalidades, a nova legislação prevê sanções para quem conduzir ciclomotores sem habilitação ou permissão na categoria A ou Autorização para Conduzir Ciclomotor. Não portar um dos documentos mencionados será caracterizado como infração gravíssima, com multa no valor de R$ 880,41, sete pontos na carteira e retenção do veículo até apresentação de condutor habilitado.

A exigência de formação para conduzir as chamadas “cinquentinhas” já estava prevista na Resolução nº 572 do Denatran, com início da fiscalização em 1º de junho de 2016. Entretanto, a resolução não trazia as sanções em caso de descumprimento, que foram inseridas na lei que estabeleceu as modificações no Código de Trânsito. Como a aplicação dessas sanções está prevista somente para o dia 1º de novembro, quem já foi multado poderá recorrer.

Edição: Graça Adjuto
fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-11/multas-de-transito-ficam-mais-caras-partir-de-hoje

JUSTIÇA: PMs ajudaram a livrar ex-presidente do TJ-SP de apuração sobre acidente

Desembargador Ivan Sartoti recebe medalha de homenagem da PM em 2013 Foto: Divulgacao/ TJ-SP *** Local Caption *** oto ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
Desembargador Ivan Sartori recebe medalha de homenagem da Polícia Militar em 2013
A agenda do desembargador Ivan Sartori estava cheia em 22 de novembro de 2012. Então presidente do Tribunal de Justiça de SP, ele viajaria a Brasília com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para participar de um evento no Supremo Tribunal Federal.
Naquele dia, Sartori saiu de Santos dirigindo sua Mercedes com destino a São Paulo. Na chegada à capital, ao trocar de faixa em uma avenida da zona sul, atropelou a moto Honda Biz guiada pela consultora Joelma Ramos, 33.
A motocicleta ficou destruída, com perda total. Desacordada, Joelma foi socorrida às pressas a um hospital.
O acidente, porém, não atrapalhou os planos do magistrado. Ele pegou o avião com Alckmin e foi ao evento de posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF.
Para isso, o magistrado teve a ajuda de policiais militares. Além de desobrigá-lo a comparecer à delegacia para dar explicações, esses agentes –cedidos ao TJ– ainda o ajudaram a se livrar de qualquer investigação sobre o acidente.
Tudo começou no quarto do hospital. Assim que recuperou a consciência, ainda na maca e em circunstâncias desconhecidas, a vítima foi convencida por PMs a assinar uma declaração na qual renunciava a qualquer intenção de processar o magistrado.
O documento foi entregue pelos PMs ao delegado João Doreto Campagnari quase quatro horas após o acidente. Do local do atropelamento até o 35º distrito, onde foi feito o registro, o percurso dura 20 minutos –o acidente ocorreu às 9h, e só foi comunicado à Polícia Civil às 12h51.
Ao contrário do padrão em acidentes dessa gravidade, o delegado não teve contato pessoal com Sartori nem com a vítima. Segundo relatou a colegas, o delegado nem mesmo conseguiu localizar o hospital onde Joelma foi levada –uma unidade em Diadema.
CARANDIRU
No mês passado, foi Sartori quem presidiu a sessão que anulou a condenação de 74 policiais militares pelo Massacre do Carandiru –episódio, em 1992, que terminou com a morte de 111 presos. "Não houve massacre, houve legítima defesa", afirmou o magistrado. Sartori ainda pediu a absolvição de todos os policiais –foi voto vencido nesse ponto, porém.
Nos dias seguintes, a Folha revelou a relação próxima do magistrado com a PM. Na época em que foi presidente do TJ, ele era escoltado por policiais e foi homenageado cinco vezes pela corporação. Neste ano, seu filho, Guilherme Sartori –candidato derrotado a vereador– fez campanha no centro de operações da Polícia Militar.
Rovena Rosa/Agência Brasil
Sessão do TJ que anulou julgamento; na mesa principal (ao centro, no microfone, diante de notebook), o desembargador Ivan Sartori
De acordo com o presidente da Comissão de Direito Viário da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Maurício Januzzi, nenhum motorista responsável por acidente de trânsito com vítima está desobrigado a comparecer à delegacia –a não ser que também esteja no hospital ferido.
"Isso é um privilégio ilegal. Na qualidade de cidadão e juiz, deveria dar o exemplo", diz. "Ele deveria comparecer. Ele não atropelou ninguém na qualidade de juiz, mas na qualidade de cidadão."
Por meses esse acidente ficou desconhecido até mesmo de outros desembargadores do TJ, que depois cobraram explicações de Sartori.
Além da omissão de Sartori ao não comunicar o acidente, os magistrados também questionaram a legalidade da Polícia Militar em colher um "termo de renúncia" e apresentá-lo na delegacia.
Segundo voto do desembargador Damião Cogan, reproduzido em processo, o direito de representação ou renúncia devem ser "exercidos pessoalmente" pela vítima ou por escrito –e com firma reconhecida em cartório. "Sabe-se, apenas, que tal renúncia foi colhida em papel timbrado da Polícia Militar do Estado, sem qualquer indicativo da sua origem ou endereço onde foi obtida", diz trecho de documento.
Segundo magistrados, a obtenção desse documento teve a participação do coronel Renato Cerqueira Campos, então chefe da assessoria Policial Militar do TJ.
A consultora Joelma Ramos foi liberada do hospital oito horas após o acidente. Sofreu ferimentos leves, apesar de ter batido a cabeça e ter ficado desacordada.
Ela morreu há três meses, de câncer. O irmão dela, o motorista Reinaldo Ramos, 38, relatou à Folha o que Joelma contou a ele na época do acidente. "Ele [Ivan Sartori] não deu a seta, e acabou fechando a moto dela", diz.
Segundo esse irmão, um guarda-costas do desembargador ficou com Joelma todo o tempo em que ela permaneceu no hospital –Sartori não compareceu. Dias depois, o magistrado pagou a moto destruída e mandou perguntar se Joelma estava bem.
OUTRO LADO
Procurado na quinta-feira (27), o desembargador Ivan Sartori não respondeu à reportagem. Nesta segunda (31), Sartori se manifestou em seu perfil no Facebook.
Ele afirmou que a culpa do acidente foi da consultora Joelma Ramos. "Não foi atropelamento, a vítima bateu no meu veículo com uma moto. Ela passava pelo corredor, entre os carros. A culpa foi dela. Mesmo assim, fiquei pessoalmente todo tempo ao lado da moça vitimada e não arredei pé até ela ir ao hospital."
"Ela se feriu sem gravidade, mas não sabíamos a extensão das lesões no momento. Então, pedi que ela ficasse imóvel. A equipe da presidência a socorreu", disse.
Sartori também criticou a Folha. "Buscando retaliação, a Folha de SP ressuscita um acidente em que me envolvi em 2012, para publicar algo, na certa, tentando denegrir minha imagem", afirmou.
O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou que o caso foi visto no órgão especial e a própria Procuradoria da República ouviu a vítima e arquivou o expediente.
Sobre a atuação dos policiais militares no caso, a Secretaria da Segurança Pública, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que "o procedimento adotado no atendimento à ocorrência atendeu à legislação vigente."
"O desembargador apenas seria conduzido ao DP [Distrito Policial] na hipótese de flagrante de crime inafiançável, o que não foi o caso", diz.
Questionada pela reportagem, porém, a pasta não citou qual legislação prevê tratamento diferenciado a desembargadores que se envolvam em acidentes de trânsito no horário de folga e em carro particular.
Folha também solicitou uma cópia de normas internas da Polícia Militar que orientam a atuação dos agentes em acidentes de trânsito em via de São Paulo. A PM não respondeu ao pedido.
*

A carreira de Ivan Sartori

1979 - Forma-se em direito na Universidade Mackenzie
1980 - Torna-se juiz
2005 - Torna-se desembargador; atuou em Bariri, São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes e São Paulo (SP)
Dez.2011 - É eleito presidente do Tribunal de Justiça de SP para os anos de 2012 e 2013
2012 - Mantém reintegração de posse da favela do Pinheirinho, em São José dos Campos, mesmo após liminar da Justiça federal ter suspenso medida

"[A operação da PM foi] maravilhosa, de alta tecnologia, de alto gabarito"

2012 - Atropela a motociclista Joelma Ramos, mas não comparece à delegacia
Fev.2013 - É condecorado pela tropa de choque da PM

"Esta é a quinta medalha que recebo da PM e isso me traz um orgulho muito grande"

2013 - Tenta reeleição para a presidência do TJ, o que é proibido por lei; CNJ barra candidatura, e Sartori desiste
Set.2016 - Preside sessão do TJ que anulou condenação de PMs pelo massacre do Carandiru, em 1992

"Não houve massacre, houve legítima defesa"


FONTE: http://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1828073-pms-ajudaram-a-livrar-ex-presidente-do-tj-sp-de-apuracao-sobre-acidente.shtml?cmpid=newsfolha

NATUREZA: Represas de SP registram mais de 100 afogamentos

Represa de Guarapiranga / Foto: Nico Nemer/DiárioSP

Até a última quinta-feira (27), 76 pessoas haviam morrido afogadas em represas, lagoas e rios na capital em 2016. No mesmo período, o Corpo de Bombeiros conseguiu resgatar com vida outros 113 banhistas que afundaram nestas mesmas águas.
Ainda segundo a corporação, o número mortes começa a aumentar em novembro e atinge seu pico entre dezembro e março. Por isso, é importante redobrar a atenção, sobretudo com crianças e adolescentes, e com quem não sabe nadar, claro. E atenção especial às pessoas alcoolizadas que entram na água. São elas as maiores vítimas  por afogamentos.
“Historicamente, quase 80% das vítimas fatais são do sexo masculino, com idades entre 15 e 28 anos”, explica o capitão Alexandre Antunes Neves, comandante do Subgrupamento do Corpo de Bombeiros na Represa de Guarapiranga, Zona Sul.  A represa tem 36 quilômetros quadrados e 12 pontos monitorados diariamente para evitar que alguém se afogue.
Apesar disso, ainda são comuns casos de morte no local, pois muitas das áreas são de difícil acesso e não há moradias nas proximidades. Carros não chegam até a beira da água. Só é possível acessar a área por trilhas improvisadas, ou de lancha, como são feitos a maior parte dos resgates.
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E quando há residências perto, elas costumam ser ocupações com moradias precárias, onde muitos não sabem nadar. Para piorar, no caso da Guarapiranga, ainda há diversas construções abandonadas, onde não é raro grupos se reunirem para consumir drogas.
“É difícil fazer a população entender isso, mas bebida e drogas não combinam com água em nenhum momento. Ao consumi-las, perde-se a capacidade de avaliação de risco. E sem esse limite, o risco de afogamento aumenta muito”, completa Antunes.
A Praia do Castelo, onde há uma edificação abandonada que dá nome ao local, é uma das que mais preocupam a corporação. O imóvel fica à beira de um barranco e a profundidade ali chega a cinco metros. E isso a menos de três metros de distância da margem. 
Ao lado do ‘castelo’ foram construídas casas nos últimos três anos. Os moradores costumam amarrar cordas em uma árvore para se balançar e cair na água. Como muitos não sabem nadar, o risco é grande.
Como reforço, para o período de dezembro a março, só na Guarapiranga, os bombeiros devem contratar temporariamente mais 50 salva-vidas, para se juntarem aos outros 25 que trabalham no local.
Entrevista: Alexandre Antunes Neves_capitão do Corpo de Bombeiros
‘Crianças sozinhas, bebida e boia improvisada são riscos’
DIÁRIO_ Por que ocorrem tantos afogamentos em represas e lagoas na capital?
ALEXANDRE ANTUNES NEVES_ Primeiro porque muitos banhistas não respeitam placas que indicam que é proibido nadar e que não são monitorados por guarda-vidas. Nesses locais a água costuma ser turva e o solo é irregular. De repente o banhista cai em um buraco e, se não sabe nadar, há grandes chances de se afogar nessa situação. E também há crianças desacompanhadas, adultos alcoolizados, objetos inapropriados utilizados como boias e até barcos improvisados.
Que tipos de objetos?
Agora a moda é o colchão inflável. O banhista senta ou deita nele e não percebe que o vento o afasta da margem. Quando se dá conta, está em um local profundo e não consegue retornar.  Já socorremos oito meninos em um desses colchões. E nenhum deles sabia nadar. Fora isso, são improvisadas como boias garrafas pet cheias de ar, câmaras de pneus de caminhão, portas de madeira. A criatividade é grande. Mas todos são extremamente inseguros.
E os barcos improvisados?
Recentemente encontramos abandonado um barco feito com telhado de zinco e pedaços de madeira. Ele não tem estabilidade alguma e pode vir a submergir rapidamente.
E é difícil perceber que alguém está se afogando?
Não é fácil, pois o processo não ocorre como em filmes. A pessoa se afoga em silêncio. O pânico que ela está na maior parte das vezes só é possível ver em seus olhos.

Menores ignoram risco e se aventuram em represa

Na tarde de sexta-feira (28), cerca de 30 pessoas estavam na Praia do Sol,  a cerca de 300 metros do grupamento do Corpo de Bombeiros da Guarapiranga. No local, que tem grades, mas permanece aberto durante o dia para quem quiser entrar (não há vigias nem porteiros), a maior parte dos banhistas era composta de adolescentes desacompanhados.
Um grupo de quatro rapazes com idades entre 13 e 17 anos, e sem a presença dos pais, começou a nadar em direção ao fundo e chegou a ficar a cerca de 15 metros da margem. Não fosse um bote dos bombeiros que permanece no local em dias de sol e nos fins de semana – quando chega a haver quase cinco mil pessoas em um domingo quente –, o grupo teria ido ainda mais fundo.
“A gente veio em seis amigos com bicicletas de Interlagos até aqui. Foram uns 40 minutos de pedalada e trouxemos até sanduíches, suco e água”, contou o adolescente de 17 anos. “Nós sabemos nadar, então não tem problema nossos pais não estarem aqui. Mas realmente minha mãe nem tem ideia de que a gente veio dar esse rolê para nadar aqui na represa.”
O colega dele, de 13 anos, ainda admitiu que a aventura perigosa não era inédita. “Na segunda-feira foi a primeira vez que a gente veio e não tinha ninguém. Mas a gente tem noção de onde é perigoso e não vai longe”, disse. Ao ser questionado se gostaria de trazer boias ou colchões infláveis para a água, ele não teve dúvida e respondeu rápido: “A gente só não traz porque não dá para carregar na bicicleta. Mas se desse, encher um colchão de ar, deitar em cima e ficar só relaxando de boa seria muito bom.”
Outro dos amigos contou que na segunda-feira ventava bastante, mas mesmo assim, o grupo foi se divertir na água. “Estava até formando umas ondas meio fortes por causa da ventania, mas estava tudo certo. Não teve problema.”
Na Praia do Sol há três quiosques que vendem bebidas alcoólicas, mas na sexta-feira todos estavam fechados. Segundo frequentadores, eles só abrem nos fins de semana.
A poucos metros dos adolescentes, o chefe de produção Edinei Souza Lopes, 37, acompanhava a filha, Alícia, 2, na beira da água. “Ela não sabe nadar e não deixo ela longe, porque para entrar na água basta um segundo de distração. Se a gente vacila, ela some, então sempre a deixo a uma distância onde posso pegá-la”, contou Edinei, segurando Alícia pelas mãos, enquanto a menina persistia em tentar se soltar.
Entre pai e filha e o grupo de jovens, entretanto, havia uma menina aparentando ter, no máximo, 3 anos sozinha, brincando às margens da represa.
FONTE: http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/94296/represas-de-sp-registram-mais-de-100-afogamentos

SOCIEDADE: Tucanos, evangélicos e derrota da esquerda: as tendências políticas reveladas pelas eleições municipais

Geraldo Alckmin, Marcelo Crivella e LulaImage copyrightAFP/REUTERS
Image captionDireita se fortalece com crescimento do PSDB e vitória de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro; esquerda sai como grande derrotada
O resultado do segundo turno das eleições municipais reforçou a tendência de crescimento do PSDB, derrocada da esquerda, em especial do PT, e trouxe um elemento novo ─ a vitória de uma liderança evangélica em uma das cidades mais importantes do país.
O bispo licenciado da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB) obteve 59,36% dos votos válidos no Rio de Janeiro, derrotando Marcelo Freixo (PSOL).
No Sul, o PSDB elegeu pela primeira vez um prefeito em Porto Alegre: Nelson Marchezan Júnior recebeu 60,5% dos votos, batendo Sebastião Melo (PMDB).
Os tucanos ganharam também em importantes cidades do ABC paulista (região metropolitana de São Paulo), tradicional reduto petista e berço político do ex-presidente Lula.
Apesar disso, perderam em Belo Horizonte, a base do presidente da legenda, o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Entenda melhor abaixo os destaques da eleição municipal e seus possíveis desdobramentos políticos.

Evangélicos

Para a cientista política Christiane Laidler, professora de História Contemporânea da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a eleição carioca trouxe duas novidades em termos de forças políticas.
De um lado, mostrou o fortalecimento do PSOL, uma sigla de esquerda ainda pequena, mas que vem crescendo no Estado desde a eleição de 2014.
De outro, acabou coroando uma importante liderança evangélica, na primeira grande vitória no Poder Executivo de um grupo político que já vem ganhando espaço relevante no Congresso e em assembleias legislativas.
Devido ao grande número de parlamentares, o PRB teve cargos no governo do PT ─ o próprio Crivella foi ministro da Pesca ─ e agora o presidente da sigla, Marcos Pereira, ocupa o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.
É a primeira vez, porém, que o PRB ganha uma capital, e logo a segunda maior do país, destaca Laidler.
"Essa direita religiosa não é mais um fenômeno marginal, acho que já é um fenômeno central (na política brasileira)", destaca.
"É uma direita com um projeto diferente, ligada à uma igreja pentecostal, bastante conservadora, sobretudo do ponto de vista da agenda moral", acrescenta.

Vitória do PSDB

Em termos gerais, o grande vitorioso das eleições municipais foi o PSDB, apontam os analistas ouvidos pela BBC Brasil.
Embora o PMDB tenha ganhado, mais uma vez, o maior número de municípios, isso não criou um fato novo nem serviu para alavancar a popularidade do presidente Michel Temer, assinala Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências.
Além disso, o partido perdeu no Rio de Janeiro, sua principal vitrine, onde o prefeito Eduardo Paes não conseguiu levar seu candidato, Pedro Paulo, nem para o segundo turno.
Já o PSDB ganhou em cidades mais importantes e vai governar o maior número de pessoas.
Em São Paulo, o mais importante Estado do país, o partido já havia levado no primeiro turno a capital, com a eleição de João Doria, afilhado político do governador Geraldo Alckmin.
No segundo turno, ganhou também outras cidades importantes ─ tradicionalmente governadas pelo PT ─ como São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto e Santo André.
Sem candidato no segundo turno em seu berço político, São Bernardo do Campo, o ex-presidente Lula optou por nem votar neste domingo. Como o líder petista tem mais de 70 anos, seu voto não é obrigatório.
Neste domingo, o PSDB também conquistou mais cinco capitais: Porto Alegre, Belém, Manaus, Maceió e Porto Velho.
Perdeu, porém, em Belo Horizonte, justamente reduto de Aécio. Na capital mineira Alexandre Kalil (PHS) derrotou o tucano João Leite com 53% dos votos válidos.
O resultado deixa Alckmin fortalecido para disputar com Aécio a indicação do PSDB para candidato presidencial em 2018, acredita Cortez.
"O PSDB foi o partido que mais conseguiu mobilizar o voto antipetista (no pleito municipal). O partido tem grande oportunidade de retornar e ter um ganho positivo nas urnas em 2018", avalia.
LulaImage copyrightREUTERS
Image captionPT ganhou apenas uma capital, com reeleição de Marcus Alexandre no 1º turno em Rio Branco (AC)

Derrota do PT e da esquerda

Enfraquecido pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, a crise econômica e as denúncias de corrupção, o PT encolheu fortemente nas eleições municipais. Ganhou em apenas uma capital, com a reeleição de Marcus Alexandre no primeiro turno em Rio Branco (AC). De 638 prefeituras conquistadas em 2012, o partido ficou apenas com 254 nesta eleição.
"A despeito da Lava Jato envolver vários partidos, foi o PT que de fato pagou por esse preço. E o partido enfrenta uma crise que deve ser agravada por conta da ausência de liderança para mobilizar a reconstrução da imagem partidária", afirma Cortez.
Ele avalia que agora a sigla vive uma relação ambígua com sua maior liderança, Lula, que enfrenta o desgaste de seguidas denúncias de corrupção ─ as quais ele nega ─ e o risco de ficar impedido de concorrer em 2018 devido a uma eventual condenação.
A forte dependência do ex-presidente acaba sendo um impeditivo para o partido se reconstruir, acredita Cortez.
"O aumento da rejeição a Lula ajuda a explicar o encolhimento do PT, mas a despeito de toda a crise é ele quem ainda consegue ter um apoio mínimo dentro do eleitorado", nota.
Se o partido não se reinventar, corre risco de perder o protagonismo na esquerda, acredita Cortez.
"A maior expressão desse desafio (de reconstrução) é o fato de haver concorrência dentro da esquerda. O PT foi ultrapassado do ponto do vista eleitoral dentro da esquerda nesta eleição. Não chegou num segundo turno de uma grande capital, coisa que o PSOL fez", ressalta.
Mas embora o enfraquecimento do PT tenha aberto mais espaço para vitórias de outros partidos de esquerda, como PSOL e PDT, o desempenho dessas siglas não foi capaz de evitar o avanço da direita.
"Essa eleição marcou a derrota dos partidos progressistas, de esquerda, e até de centro-direita. O projeto da Rede (partido de Marina Silva) não teve efetividade, conquistou pouquíssimas prefeituras. Os projetos de terceira via, de centro, também não deslancharam", observa Christiane Laidler.
Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José SerraImage copyrightABR
Image captionPSDB pode enfrentar racha em 2018, dizem especialistas

E 2018?

Os resultados das eleições municipais costumam refletir na composição do Congresso Nacional seguinte, de modo que o cenário hoje aponta para um encolhimento da bancada do PT na Câmara e no Senado e um crescimento das bancadas de direita.
A disputa presidencial, porém, segue sendo uma incógnita, afirmam os analistas, devido aos desdobramentos imprevisíveis da Operação Lava Jato.
A expectativa é que dia 8 de novembro dezenas de executivos da Odebrecht assinarão um acordo de delação premiada que pode trazer denúncias contra importantes políticos de PMDB, PSDB, PT, entre outras siglas, inclusive autoridades do governo Temer.
Não está descartado em Brasília também o risco de o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, hoje preso em Curitiba, seguir o mesmo caminho.
"2018 vai depender dos desdobramentos das investigações e quanto isso vai desgastar políticos tradicionais: Aécio, Serra, Alckmin, PT", ressalta Cortez.
Um cenário de forte desgaste dessas lideranças poderia ser favorável a Mariana Silva, que tem uma imagem mais distanciada da política tradicional, no entanto, o desempenho muito fraco da Rede dificulta sua candidatura.
"Marina não aproveitou toda essa crise petista e hoje ela é menor do que foi em 2014. Naquele momento ela herdou a estrutura do Eduardo Campos (morto em acidente durante a campanha). Ela tem agora um ponto de partida muito mais baixo", observa.
Dentro da esquerda, além de Lula, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) tem despontado como possível candidato. Para Laidler, as reformas impopulares que vêm sendo propostas pelo governo Temer podem gerar uma resistência de esquerda.
"O PT parece não estar mais no jogo político, mas a agenda de desmonte do Estado de bem-estar social vai gerar muito conflito, que deve se refletir em 2018", acredita.
Já o presidente Michel Temer tem evitado se colocar como possível candidato à reeleição, para não melindrar seu principal aliado, o PSDB.

Ruptura no PSDB?

Para Cortez, o successo do PSDB em 2018 vai depender de o partido evitar a fragmentação de seus principais líderes.
Ele levanta a hipótese de que, caso Aécio, que hoje controla boa parte do partido, seja o candidato, Alckmin possa deixar a sigla para tentar concorrer por outra legenda, como o PSB por exemplo.
Movimento semelhante poderia ocorrer com o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que teria como opção se abrigar no PSD, pondera.
FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37769585