terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Carnaval não é feriado

Não há lei federal que considere o carnaval como feriado, exceto leis municipais ou estaduais.

A Lei n° 9.093/1995 que dispõe sobre os feriados, prevê em seu art. 1° os feriados civis, sendo eles os declarados em lei federal e também a data magna do Estado fixada em lei estadual, além dos dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal.
Por sua vez, a referida Lei em seu art. 2° dispõe sobre os feriados religiosos, sendo esses os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão.

Neste contexto, a Lei n° 10.607/2002, dando nova redação ao art. 1° da Lei n° 662/1949, declara como feriados nacionais os dias 1° de janeiro (Confraternização Universal), 21 de abril (Tiradentes), 1° de maio (Dia do Trabalhador), 7 de setembro (Independência), 2 de novembro (Finados), 15 de novembro (Proclamação da República) e 25 de dezembro (Natal).
Ainda, a Lei n° 6.802/1980 declara como feriado nacional o dia 12 de outubro, para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
Destaca-se que não há lei federal que considere o carnaval como feriado, exceto leis municipais ou estaduais. Assim sendo, deve-se observar se na sua cidade o carnaval é feriado municipal ou não.
Na maior parte do país, a terça-feira de Carnaval é considerada ponto facultativo. Em SC, o Decreto n° 1.034/2017, fixa o calendário de feriados e pontos facultativos do ano de 2017 para os órgãos e as entidades da administração direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo estadual, prevendo como ponto facultativo o carnaval e a quarta-feira de cinzas (até às 13h).
No munícipio de São José/SC, o carnaval é considerado ponto facultativo, a teor das disposições contidas no Decreto nº 7.401/2017, bem como também o dia 1º de março, quarta-feira de cinzas. Da mesma forma, é a legislação do município de Palhoça/SC, onde o Decreto n° 2.117/2017 também prevê como ponto facultativo o carnaval e a quarta-feira de cinzas (até as 13h).
Para quem precisa trabalhar nesses dias de carnaval é bom ficar atento! O valor do dia de trabalho deverá ser feito pelo valor normal e não de forma dobrada, como acontece nos feriados trabalhados. No caso de falta ao trabalho neste período, poderá ser descontado o dia de ausência, além do correspondente ao DSR (descanso semanal remunerado), que é concedido geralmente aos domingos.
Por outro lado, o empregador optando pela dispensa do empregado, seja por liberalidade ou por cumprimento de acordo coletivo, não poderá descontar dele o dia remuneração.
fonte:BACK, Caroline Back Ristow. Carnaval não é feriado. Fique atento! . Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 22, n. 4989, 27 fev. 2017. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/56101>. Acesso em: 28 fev. 2017

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jurídico, político e controverso, Alexandre de Moraes chega ao Supremo

  • Lilian Venturini
  •  06 Fev 2017 (atualizado 06/Fev 22h43)

    Temer nomeia ministro da Justiça para a vaga deixada por Teori Zavascki e coloca na mais alta corte do país um ex-promotor filiado ao PSDB e próximo de Geraldo Alckmin

    Ministro da Justiça Alexandre de Moraes

    O presidente Michel Temer indicou nesta segunda-feira (6) seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para ocupar uma das 11 cadeiras do Supremo Tribunal Federal, em vaga aberta após a morte em um acidente aéreo de Teori Zavascki em janeiro.
    De perfil político, filiado ao PSDB e próximo do peemedebista Temer e do governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, Moraes é livre-docente em direito, autor de ao menos 60 livros jurídicos e ex-promotor de Justiça.
    Os ministros do Supremo são indicados pelo presidente da República e precisam ser aprovados pelo Senado. A Constituição exige apenas que o indicado tenha acima de 35 anos, “notável saber jurídico e reputação ilibada”.
    A menos que algum dos outros dez ministros peça para deixar a vaga, esta será a única indicação de Temer para a mais alta corte do país em seu mandato, iniciado em maio de 2016, em razão do processo de impeachment de Dilma Rousseff.
    Entre os atuais ministros do Supremo, quatro foram indicados por Dilma, três por Luiz Inácio Lula da Silva e outros três indicados respectivamente por Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney.

    Carreira jurídica e política se misturam

    Ser ministro do Supremo estava entre os objetivos de vida de Moraes. Se a nomeação for aprovada, ele conquistará o posto aos 49 anos e, se desejar, pode ficar até a idade-limite para aposentadoria, aos 75 anos.
    Será o integrante mais novo da atual composição e o revisor das ações da Lava Jato, cuja relatoria agora é do ministro Edson Fachin. No Supremo, a Lava Jato atinge parlamentares e ministros, parte deles ligados ao PMDB. O próprio Temer é citado em delações premiadas.
    Ao longo de sua formação, o atual ministro da Justiça especializou-se em temas como a Constituição e a legislação penal. Entre a sua graduação em direito na USP (Universidade de São Paulo) até hoje, vão-se 27 anos de carreira jurídica. Mas boa parte dela foi intermediada por outra atividade, a política.
    À frente dos cargos que ocupou em diferentes gestões, ele agradou dirigentes. Por outro lado, ele também acumulou críticas de entidades e de representantes da área de segurança pública, para quem Moraes recorria a medidas ultrapassadas e controversas, como o enfoque na ação policial para o combate à violência.

    Um político no Supremo

    FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
    Reunião do Núcleo Institucional do governo após massacre de Manaus
     TEMER CONVERSA COM MORAES EM REUNIÃO SOBRE SISTEMA PRISIONAL NO PAÍS
    O ministro tucano chegará para sua nova função após ficar em evidência em razão da recente crise carcerária e de sua proximidade com Temer. A despeito das críticas dirigidas a Moraes na gestão da crise, o peemedebista se mostrava satisfeito com o trabalho do tucano.
    Ao formalizar a indicação, o presidente destacou as “sólidas credenciais acadêmicas e profissionais” do futuro ministro.
    Antes de ser filiado ao PSDB, partido em que ingressou em 2015, Moraes foi filiado ao PMDB. Se assumir a vaga da Corte, terá de se desfiliar da legenda.
    Ele não será o primeiro ministro com histórico de filiação partidária. Ayres Britto, por exemplo, foi filiado ao PT, mas já não fazia parte dos quadros do partido quando foi indicado, em 2003.
    Outros juízes já haviam ocupado cargos de confiança em órgãos do governo federal antes da indicação ao Supremo, a exemplo de Gilmar Mendes. Ele desempenhou funções na Subsecretaria-Geral da Presidência, no Ministério da Justiça e foi advogado-geral da União no governo do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) – que o indicou para o Supremo, em 2002.
    Também é o caso de Dias Toffoli, ex-advogado-geral do governo Luiz Inácio Lula da Silva (ele foi ainda advogado do PT durante campanhas eleitorais). Toffoli foi indicado ao Supremo pelo próprio Lula e passou a integrar a mais alta corte do país em 2009.
    Quando defendeu sua tese de doutorado, em 2000, Moraes afirmou que ocupantes de “cargo de confiança” do presidente da República deveriam ter a nomeação proibida para evitar questionamentos à independência da Corte, conforme contou reportagem de “O Estado de S. Paulo” de domingo (5).
    Como ministro da Justiça, ocupa um cargo de confiança de Temer. Moraes não falou ao jornal sobre sua atual opinião a respeito do tema.

    Na política por mãos tucanas

    FOTO: CIETE SILVÉRIO/SECOM-SP - 08.ABR.2016
    Alckmin concede entrevista, acompanhado pelo então secretário Alexandre de Moraes
     GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN CONCEDE ENTREVISTA COLETIVA
    A carreira política de Moraes começou em São Paulo, em 2002, ano em que deixou a promotoria para se tornar secretário de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania (2002-2005). Nesse período, Moraes também presidiu a Fundação Casa (extinta Febem), entre 2004 e 2005, quando havia registros constantes de rebeliões e fugas.
    Eram os primeiros anos de Geraldo Alckmin (PSDB) como governador. O cargo marcaria o início da relação entre Moraes e Alckmin, quem, de de certa forma, foi responsável pelos caminhos futuros do então secretário na política.
    “São 13 anos de convívio e de amizade. Posso dizer que eu me tornei um amigo do governador e da família, a minha esposa é amiga da dona Lu (Maria Lúcia Guimarães Ribeiro Alckmin, esposa do tucano). O governador é um homem público excepcional. É um prazer trabalhar com ele”
    Alexandre de Moraes
    em declaração ao Nexo, publicada em dezembro de 2015
    Após sua estreia como secretário, Moraes intercalou postos políticos com a carreira jurídica. Quando deixou o governo Alckmin, integrou a primeira composição do Conselho Nacional de Justiça, espécie de órgão fiscalizador do Judiciário. Sua passagem ficou marcada pela aprovação da resolução que proíbe o nepotismo em órgãos do Judiciário.
    Dois anos depois, em 2007, voltou à vida pública, dessa vez como secretário municipal de Transportes de São Paulo na gestão Kassab (2006-2012). Além da pasta, respondia ainda pela gestão da SPTrans, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e da Secretaria de Serviços. O acúmulo de funções lhe rendeu a alcunha de “supersecretário” de Kassab, já que respondia por alguns dos mais altos contratos municipais.
    Ele deixou o cargo em 2010 por divergências com o então prefeito e abriu um escritório de advocacia. Ele e sua equipe atuaram em causas de empresas, políticos (como o ex-deputado Eduardo Cunha, PMDB-RJ) e associações, uma delas suspeitas de ser um braço organizado do PCC(Primeiro Comando da Capital).
    Quatro anos depois, pelas mãos de Alckmin novamente, Moraes voltou à política em 2015, como secretário de Estado da Segurança Pública de São Paulo. A atuação fez com que mais de uma vez seu nome fosse cotado para disputar cargos eletivos pelo PSDB.

    Foco na segurança pública

    FOTO: REPRODUÇÃO/SECRETARÍA NACIONAL ANTIDROGAS PY
    Alexandre de Moraes corta pés de maconha no Paraguai
     ALEXANDRE DE MORAES CORTA PÉS DE MACONHA NO PARAGUAI
    Estar à frente de uma das pastas mais sensíveis do governo paulista colocou Moraes de novo em evidência e reforçou sua ligação com a área da segurança pública, característica que levou também para a sua gestão no Ministério da Justiça.
    Como secretário, entre janeiro de 2015 e maio de 2016, adotou forte discurso de combate à violência, fundamentado principalmente no uso da força policial, método questionado atualmente por pesquisadores da área por ser considerado pouco efetivo no longo prazo.
    Seu objetivo era tentar baixar os índices de homicídios e roubos no Estado. A metodologia adotada, no entanto, foi questionada por entidades do setor, para quem a gestão maquiava os resultados.
    Parte de sua gestão também ficou marcada pela resposta violenta a protestos de movimentos sociais, como atos de estudantes contra reajuste das tarifas do transporte e atos contrários ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
    “Eu não diria que foram manifestações [os atos contra o impeachment]. Foram atos que não configuram uma manifestação porque não tinham nada a pleitear. Tinham, sim, a atrapalhar a cidade. Eles agiram como atos de guerrilha”
    Alexandre de Moraes
    então secretário de Segurança de SP, em maio de 2016
    A declaração acima foi feita em 10 de maio de 2016. Em 12 de maio Dilma foi afastada temporariamente pelo Senado, Temer assumiu a Presidência e apresentou sua equipe ministerial. Moraes foi anunciado ministro da Justiça.
    A indicação partiu de Alckmin, mas Moraes era um nome que também agradava Temer. O novo titular levou para o ministério seu perfil de secretário de Segurança Pública. Manteve o discurso pela defesa da ordem em casos de protestos e chegou a cortar pés de maconha com um facão para simbolizar sua política de repressão ao tráfico de drogas.
    No auge da crise carcerária, ele apresentou um Plano Nacional de Segurança, mas as propostas foram criticadas por entidades e pesquisadores, para quem as medidas eram paliativas. Metade do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, vinculado à Justiça, pediu demissão por discordar das ações do ministro.
    Temer não se manifestou sobre a reação dos membros do conselho. Na sexta-feira (3), em outro sinal de apreço ao trabalho realizado por Moraes, mudou o nome da pasta, que passou a se chamar Ministério da Justiça e da Segurança Pública.
    FONTE: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/02/06/Jur%C3%ADdico-pol%C3%ADtico-e-controverso-Alexandre-de-Moraes-chega-ao-Supremo?utm_campaign=a_nexo_201727&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

    Consulte quanto você poderá sacar de contas inativas do FGTS

    Presidente Michel Temer anunciou que trabalhador poderá sacar todo o dinheiro relacionado a contratos de trabalhos encerrados até 31 de dezembro de 2015





    São Paulo – O trabalhador pode consultar quanto dinheiro tem direito a sacar de contas inativas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no Site da Caixa, que administra os recursos. Por conta da alta procura pelo serviço, o sistema está instável.

    Para consultar os extratos, basta que o trabalhador insira o número do PIS/PASEP e cadastre uma senha na internet para acessar o sistema. PIS/PASEP é a sigla do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, que englobam contribuições sociais devidas pelas empresas.
    A consulta ao saldo de contas inativas no fundo também pode ser feita pelo aplicativo do FGTS para celulares, em outros canais de atendimento da Caixa e lotéricas.
    Caso opte por ir até uma agência da Caixa, usar o autoatendimento do banco ou ir até uma lotérica, o trabalhador deve apresentar o Cartão Cidadão (no qual são depositados benefícios sociais geridos pelo banco, como seguro desemprego e o abono do PIS) para realizar a consulta.

    O que são contas inativas?

    Todas as contas do FGTS relacionadas a contratos de trabalho com carteira assinada rescindidos, seja porque o trabalhador pediu demissão ou foi demitido, são consideradas como inativas. Isso porque deixaram de receber os depósitos mensais feitos pela empresa.
    Portanto, todos esses recursos, desde que a rescisão do contrato tenha sido registrada até o dia 31 de dezembro de 2015, poderão ser sacados pelo trabalhador no ano que vem, conforme anúncio feito nesta quinta-feira (22) pelo presidente Michel Temer.
    Atualmente, os recursos de contas inativas do FGTS somente podem ser sacados quando o trabalhador se aposentar, comprar a casa própria ou ficar três anos consecutivos sem trabalhar com carteira assinada. No último caso, após esse período, ele pode sacar todo o valor depositado nas contas inativas do fundo a partir da data do seu aniversário.

    Fique atento

    Por um problema operacional da Caixa, contas do FGTS relacionadas a contratos de trabalho rescindidos nos últimos anos podem aparecer no sistema como ativas quando, na verdade, já são consideradas inativas.
    Segundo a Caixa, no momento em que o contrato de trabalho é rescindido ele demora para entrar no banco de dados de contas inativas do fundo.
    No entanto, de acordo com o banco, o problema operacional não vai interferir no valor que poderá ser sacado pelo trabalhador no ano que vem. Até lá, a questão deverá ser equacionada.
    Portanto, ao realizar a consulta de seus extratos do FGTS, o trabalhador deve ter em mente de que todos os recursos depositados por empresas nas quais já trabalhou e foi demitido ou pediu demissão até o dia 31 de dezembro de 2015 poderão ser sacados, não importa se a conta ainda aparece registrada como ativa. O importante a observar é a data de afastamento registrada em cada extrato.

    Como sacar

    A data de saque vai depender de um cronograma, que será anunciado pelo governo após mudanças na lei 8.033, que trata das condições para uso do FGTS.
    A previsão é que a mudança seja realizada até fevereiro do ano que vem e o trabalhador possa sacar os recursos a partir da data do seu aniversário em 2017.
    De acordo com a Caixa, a previsão é que valores até 1.500 reais poderão ser sacados pelo trabalhador a partir de uma requisição no próprio site da Caixa. Já valores acima de 1.500 reais somente poderão ser resgatados em agências do banco.
    fonte: http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/consulte-quanto-voce-podera-sacar-de-contas-inativas-do-fgts/

    sexta-feira, 25 de novembro de 2016

    Temer confirma conversa com Calero, mas nega pressão


    Planalto teme que ex-ministro da Cultura tenha gravado conversa com Temer


    BRASÍLIA — O presidente Michel Temer admitiu que esteve duas vezes com o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, segundo ele, para tentar dirimir um conflito entre dois ministros — Calero e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) —por conta da pressão que Geddel teria feito sobre o ex-ministro da Cultura para liberar uma obra de seu interesse na Bahia. Por meio do seu porta-voz, Alexandre Parola, Temer disse que "jamais induziu algum deles a tomar decisão que ferisse normas internas ou suas convicções". O Palácio do Planalto teme que Calero tenha gravado a conversa que teve com Temer no último encontro que manteve com ele, na quinta-feira da semana passada, véspera de sua demissão.


    O presidente buscou arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica da Advocacia Geral da União, que tem competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública, como estabelece o decreto 7392/2010, já que havia divergências entre o Iphan estadual e o Iphan federal. Em seu artigo 14, inciso III, o decreto diz que cabe à AGU “identificar e propor soluções para as questões jurídicas relevantes existentes nos diversos órgãos da administração pública federal — disse Temer, via porta-voz.

    Sobre uma suposta gravação da última conversa que o ministro demissionário teve com o então chefe, Temer afirmou:

    — Portanto, (Michel Temer) estranha sua afirmação, agora, de que o presidente o teria enquadrado ou pedido solução que não fosse técnica. Especialmente, surpreendem o presidente da República boatos de que o ex-ministro teria solicitado uma segunda audiência, na quinta-feira (17), somente com o intuito de gravar clandestinamente conversa com o presidente da República para posterior divulgação — declarou Temer por meio do porta-voz.

    Segundo o Blog do Moreno, no início da noite o Planalto passou a acreditar nos boatos que circularam desde mais cedo em Brasília de que Calero teria gravado a segunda conversa que tivera com Temer, na véspera de pedir demissão. O que leva o governo a acreditar nessa versão é o relato do próprio presidente de que, depois de recebê-lo à tarde para tratar do assunto da suposta pressão de Geddel, Calero voltou ao palácio no início da noite para uma nova conversa, mas sem acrescentar nenhum fato novo, o que provocou uma certa estranheza de Temer. Na avaliação do Planalto, Calero teria pedido essa nova audiência só para gravar o presidente.

    Em depoimento à Polícia Federal prestado na quarta-feira, o ex-ministro cusou o presidente Michel Temer de reforçar a pressão de Geddel contra ele. Segundo o ex-ministro, numa reunião no Palácio do Planalto, Temer mandou que ele "construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado a AGU (Advocacia-Geral da União), porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução". Marcelo Calero disse ainda que Temer afirmou que a decisão do Iphan havia criado "dificuldades operacionais" em seu gabinete, já que Geddel estava bastante irritado com o caso.

    Perguntado se o presidente confirma a informação dada por Calero à PF, de que Temer teria dito que a questão estava trazendo "dificuldades operacionais" para o governo, o porta-voz limitou-se a dizer que havia dado todos os esclarecimentos que havia para dar.
    A pressão relatada por Calero era para que ele agisse junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natual (Iphan), que é subordinado à pasta, para liberar o empreendimento no qual Geddel tem apartamento, que fica em área tombada na capital baiana. O prédio teria 30 andares.

    Em nota, a Advogada-Geral da União, Grace Mendonça, afirma que "jamais recebeu orientações para direcionamento nas manifestações da Advocacia-Geral da União e que tampouco aceitaria qualquer tipo de interferência na atuação independente e técnica do corpo jurídico da instituição". Segundo a nota, "qualquer afirmação em contrário é inverídica e leviana".

    "O que consta a respeito do caso noticiado é um pedido para avaliar uma possível divergência jurídica entre órgãos da administração, uma vez que dirimir conflitos jurídicos é uma das funções da AGU".

    ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO:
    "1 – O presidente Michel Temer conversou duas vezes com o então titular da Cultura para solucionar impasse na sua equipe e evitar conflitos entre seus ministros de Estado;
    2 – sempre endossou caminhos técnicos para solução de licenças em obras ou ações de governo. Reiterou isso ao ex-ministro em seus encontros e refirmou essa postura ao atual ministro Roberto Freire, que recebeu instruções explícitas para manter os pareceres técnicos, que, reitere-se, foram mantidos;
    3 – o presidente buscou arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica da Advocacia Geral da União, que tem competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública, como estabelece o decreto 7392/2010, já que havia divergências entre o Iphan estadual e o Iphan federal. Em seu artigo 14, inciso III, o decreto diz que cabe à AGU “identificar e propor soluções para as questões jurídicas relevantes existentes nos diversos órgãos da administração pública federal”.
    4 – O presidente trata todos seus ministros como iguais. E jamais induziu algum deles a tomar decisão que ferisse normas internas ou suas convicções. Assim procedeu em relação ao ex-ministro da Cultura, que corretamente relatou estes fatos em entrevistas concedidas. É a mais pura verdade que o presidente Michel Temer tentou demover o ex-ministro de seu pedido de demissão e elogiou seu trabalho à frente da Pasta;
    5 - O ex-ministro sempre teve comportamento irreparável enquanto esteve no cargo. Portanto, estranha sua afirmação, agora, de que o presidente o teria enquadrado ou pedido solução que não fosse técnica. Especialmente, surpreendem o presidente da República, boatos de que o ex-ministro teria solicitado uma segunda audiência, na quinta-feira (17), somente com o intuito de gravar clandestinamente conversa com o presidente da República para posterior divulgação."

    FONTE: http://oglobo.globo.com/brasil/temer-confirma-conversa-com-calero-mas-nega-pressao-20537599?utm_campaign=a_nexo_20161125&utm_medium=email&utm_source=RD+Station


    Entenda as medidas do pacote anticorrupção

    Projeto sugere propostas para inibir práticas ilícitas no país. Um dos pontos mais polêmicos foi a inclusão do caixa dois como crime, que, apesar de ter sido aprovado pela comissão especial, corre risco de ser derrubado.
    Votação na Câmara sobre o pacote de medidas anticorrupção (ABr/F. Rodrigues Pozzebom)
    Após 15 horas de sessão, a comissão especial da Câmara encarregada de votar o pacote de medidas anticorrupção aprovou por unanimidade na noite desta quarta-feira (23/11) o texto do relator, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O Projeto de Lei (PL 4850/16) reúne 12 propostas para inibir crimes de desvio de dinheiro e práticas ilícitas no país. 
    O projeto de iniciativa popular foi protocolado em março deste ano pelo Ministério Público (MP) e contou com apoio de mais de 2 milhões de assinaturas em todo o Brasil. As propostas do texto são baseadas na campanha Dez Medidas contra a Corrupção, elaboradas pelo MPF ao longo das investigações da Operação Lava Jato, que há mais de dois anos apura uma série de desvios na Petrobras e em outras empresas públicas.
    O projeto original foi alvo de uma chuva de críticas de vários parlamentares. Para ampliar o apoio em torno do parecer, Onyx teve de fazer uma série de mudanças no texto. Retirou, por exemplo,  a proposta que multava  bancos que não compartilhassem com a Justiça informações sobre casos de corrupção,  o decreto de prisão preventiva por tempo indeterminado antes da condenação e a possibilidade dos testes de integridade, em que fiscais disfarçados poderiam tentar subornar agentes públicos para testar sua predisposição em cometer crimes. O texto aprovado pela comissão é a quarta versão do relatório.
    Um dos pontos mais polêmicos foi a inclusão do caixa dois como crime. Apesar de a medida ter sido aprovada pela comissão especial, deputados já costuraram um substitutivo durante a madrugada para derrubar a proposta e incluir uma anistia a parlamentares que praticaram caixa dois em eleições passadas. 
    "Essa matéria é da maior complexidade, envolve persecução penal de uma série de crimes, sobretudo de crimes que têm vindo à tona. Está circulando a informação de que venha acontecer a partir de uma emenda de plenário sem votação nominal para anistiar o caixa dois”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).
    "Seria um escárnio jogar tudo o que fizemos no lixo, porque as dez medidas não valerão nada se houver uma anistia”, criticou o deputado Fernando Francischini (SD-PR).
    O projeto está pronto para ser votado na Câmara e, se aprovado, segue para o Senado Federal.
    Entenda abaixo as principais medidas aprovadas :
    Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de informação
    O projeto prevê o investimento de 10% a 20% dos recursos de publicidade da Administração Pública em ações e programas de marketing focados em estimular uma cultura de intolerância à corrupção, conscientizando a população e incentivando denúncias de casos ilícitos.
    O projeto também assegura sigilo total a quem denunciar algum crime de corrupção. Contudo, se o informante mentir, sua identidade poderá ser revelada.
    Outra medida prevê que o Judiciário e o Ministério Público ficam obrigados a prestar contas sobre o tempo de duração de seus processos, tendo de formular propostas caso demorem mais do que o esperado.
    Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos
    Agentes públicos que enriquecerem de forma ilícita poderão ser condenados, mesmo que não seja possível comprovar quais foram os atos de corrupção praticados. Um caso de enriquecimento discrepante com a renda comprovada já seria, por exemplo, suficiente para a condenação. Para o MP, a dificuldade de provar a corrupção incentiva o comportamento corrupto.
    Votação na Câmara sobre o pacote de medidas anticorrupção (ABr/F. Rodrigues Pozzebom)
    Votação na Câmara sobre o pacote de medidas anticorrupção
    Aumento das penas e crime hediondo para a corrupção de altos valores
    A terceira medida aumenta as penas de crimes de corrupção e, consequentemente, os prazos de prescrição que são diretamente relacionados a elas. Além disso, quando a quantia de dinheiro desviado for superior a 10 mil salários mínimos, a corrupção passará a ser considerada crime hediondo.
    Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo penal
    A medida propõe alterações no Código de Processo Penal (CPP) para aumentar a velocidade na tramitação judicial dos processos, diminuindo assim a sensação de impunidade em casos de crime de corrupção. Entre as mudanças estão regras mais restritivas para habeas corpus e o fim da figura do revisor.
    Ajustes nas nulidades penais
    O texto original sugeria que provas ilícitas, como uma escuta telefônica sem autorização da Justiça, poderiam ser aproveitadas nas investigações desde que estas mesmas informações pudessem ser provadas de outra forma, licitamente. Nesta versão do projeto aprovada pela comissão, essa medida foi retirada.
    Quanto a ajustes nas nulidades penais, o projeto também restringe regras para pedir a anulação de atos do processo.
    Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa dois
    O projeto propõe a criminalização de contabilidade paralela, o chamado caixa dois, com penas de dois a cinco anos de prisão. O texto também prevê que um partido político seja responsabilizado quando for comprovado que recebeu recursos não declarados à Justiça Eleitoral.
    Atualmente, apenas os dirigentes dos partidos respondem por crimes cometidos em benefício da legenda. O texto original queria que as multas fossem cobradas a taxas de 10% a 40% do Fundo Partidário. Diante das críticas, o relator reduziu no novo texto os valores para o mínimo de 5% e máximo de 20%. Dependendo do caso, além de pagar multas, a sigla poderá ficar suspensa ou até mesmo ter o registro cancelado.
    Outra novidade é que o projeto também punirá eleitores que venderem seu voto - e não apenas quem os compra. As penas podem variar de um a quatro anos de prisão.
    Recuperação do lucros derivados de crimes
    O projeto também propõe que a Justiça confisque bens investigados por crimes como corrupção e tráfico de drogas. A partir do chamado confisco alargado, ela poderia confiscar a diferença entre o patrimônio de origem comprovadamente lícita e o patrimônio total do investigado. Esse confisco de bens de origem ilícita poderá ocorrer mesmo se a culpa do proprietário não for comprovada ou ainda em casos de morte ou prescrição.
    Aceleração nas ações de improbidade administrativa
    Para agilizar a fase inicial dos processos, o projeto prevê o fim da notificação preliminar, que é quando o acusado é notificado pessoalmente antes de começar o processo.
    O projeto também prevê que o MPF passe a poder firmar os acordos de leniência, que são semelhantes à delação premiada, em que o infrator colabora com as investigações em troca de redução de pena, mas no âmbito jurídico. Hoje, eles só existem para crimes do direito penal.
    Reforma no sistema de prescrição penal
    O texto prevê mudanças no Código Penal para evitar que casos de corrupção fiquem impunes devido ao fim de prazos de prescrição – quando o processo é arquivado porque a Justiça não o concluiu a tempo.  Um exemplo é que o projeto prevê que o tempo de prescrição pare de contar enquanto determinado processo está parado.
    Incentivo a denúncias populares
    A Justiça quer reforçar as regras que estimulem as ações populares, nas quais cidadãos possam, mesmo que não estejam diretamente envolvidos nos desvios, ajudar nas investigações de casos de corrupção não só na política, mas também em áreas como meio-ambiente e saúde pública. 
    Amparo a reportantes
    A medida sugere maior proteção legal aos cidadãos que denunciarem casos de corrupção.  De acordo com o texto, o reportante poderá receber recompensa de 10% a 20% do valor recuperado pelo processo, pago pelo condenado. 
    Acordos
    Outra medida adicionada ao texto original é a possibilidade de acordos entre defesa e acusação para redução de penas em casos de crimes menores. O acordo só acontece se o investigado assumir a culpa e reparar de alguma forma, o dano causado.
    FONTE: http://www.dw.com/pt-br/entenda-as-medidas-do-pacote-anticorrup%C3%A7%C3%A3o/a-36500570